Mas ninguém te ensinou o que fazer com as 8 horas por dia que você dividia com quem foi embora.
Perder alguém com quem você trabalhava não é "só" perder um colega. É perder uma presença, uma rotina, uma forma de existir naquele lugar. Essa dor é real — e merece ser tratada como tal.
O luto não conhece hierarquias de vínculo. A dor que você sente pela perda de alguém com quem compartilhava oito, dez, doze horas do seu dia é real. É legítima.
Do artigo: Quando a Cadeira ao Lado Fica Vazia
Sou Rafael de Souza Monteiro, psicólogo com formação focada em luto, perdas e saúde mental no contexto do trabalho. Acredito que cada processo de luto é único — assim como cada relação que o originou.
Minha abordagem não busca "resolver" o luto. Não existe nada errado em sentir a perda de alguém que importava. O que ofereço é um espaço seguro onde sua experiência pode ser vivida sem pressa, sem julgamento, sem a pressão de melhorar rápido.
Atendo pessoas que perderam colegas, líderes que precisam apoiar suas equipes, e empresas que querem criar espaços reais de acolhimento.
O luto no trabalho tem particularidades que a terapia convencional nem sempre alcança. Minha abordagem reconhece isso.
Antes de qualquer técnica, o que mais importa é que sua dor seja reconhecida como real. Não existe luto pequeno demais para merecer atenção.
Não acredito em roteiros terapêuticos. Cada pessoa traz uma experiência singular, e é essa singularidade que guia o processo — não o contrário.
O objetivo não é esquecer ou superar. É aprender a carregar consigo o que aquela presença deixou — transformando ausência em herança.
O ambiente de trabalho criou uma expectativa silenciosa de que a dor tenha prazo. Três dias de licença, uma nota de pesar — e depois, de volta à normalidade.
Mas o luto não respeita prazos. E trabalhar no mesmo lugar onde a pessoa estava, sentar perto da cadeira vazia, ainda ouvir o nome dela ser chamado por engano — isso tem um peso que vai muito além do profissional.
Quando a Cadeira ao Lado Fica Vazia: O Luto Que Ninguém Ensinou a Viver no Trabalho
A xícara ainda está ali, no canto da bancada. O nome ainda aparece na escala. Alguém, sem pensar, quase chamou por ele no corredor. E então veio o silêncio — aquele tipo de silêncio que não é ausência de som, mas presença de algo que ninguém sabe como nomear.
Ler artigo completo →Uma primeira conversa não é um compromisso. É apenas um espaço para você ser ouvido — sem pressa, sem julgamento.